segunda-feira, 30 de abril de 2012

Independência dos E.U. A


Independência dos E.U. A. de Carla Carvalho
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O Patriota, 2000

Ciência do séc. XVIII -ficha de trabalho












domingo, 29 de abril de 2012

Construção anti sísmica no Mosteiro de Tibães

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Qual destas construções não é antisísmica? Justifica.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Visita virtual ao Mosteiro de Tibães - guião de exploração


              
Visita de Estudo Virtual ao Mosteiro de Tibães

- Guião de exploração -

Para quem teve dificuldades técnicas em executar a visita virtual a partir do moodle, pode usar os ficheiros do blogue e concretizá-la de forma mais artesanal. Bom trabalho.








                  O Mosteiro de Tibães é um autêntico mostruário dos estilos dos séculos XVII-XVIII e constitui um verdadeiro museu do barroco”
DIAS, Geraldo José Amadeu Coelho – Os beneditinos, Tibães e o Barroco. Entre o esplendor da arte e a emoção religiosa.


Hoje vão ter oportunidade de fazer uma visita de estudo diferente: uma visita de estudo virtual!

Esta atividade permitir-vos-á viajar, pesquisar e explorar o Mosteiro de S. Martinho de Tibães sem sair da de casa!

Para começares a visita virtual clica aqui
Rumo à aventura ....

Bem-vindo! Acabaste de dar o primeiro passo para a visita de estudo virtual, mas  ainda não cruzaste o portão que te dará acesso ao Mosteiro de Tibães. Para isso precisas  de saber onde se situa este monumento. Assim, de forma a descobrires  a cidade onde se localiza, faz uma pequena pesquisa na Internet.

    Já encontraste? Agora seleciona esse distrito na barra lateral esquerda
     e o tipo  de espaço.  A tua aventura está prestes a começar!
   Na porta de entrada, se carregares no       , encontras alguma informação. Para conheceres   um pouco mais sobre a história deste Mosteiro, também podes consultar o seu site.


     1.    Qual foi a data da fundação deste Mosteiro?

     1.1 Em 1567 tornou-se casa-mãe de que congregação religiosa?

      1.2 Que outro motivo contribui para a importância do Mosteiro de Tibães?

    1.3 Porque é que o Mosteiro foi encerrado em 1834?

Agora que já sabes um pouco mais sobre este Mosteiro, vamos clicar em visita virtual e entrar na Igreja.

      2.    Observa atentamente o pormenor da Cadeira Abacial, o Retábulo-Mor e o Oratório do Coro

     2.1 Refere a técnica escultórica usada.
     2.2 Identifica o estilo artístico representado.
     2.3 Justifica a tua resposta.

     Observa atentamente a Igreja
      3.    Observa a pintura:   Descida de Jesus Cristo da Cruz

      3.1 Descreve-a.
Vamos visitar o espaço exterior, nomeadamente o Claustro do Cemitério.
    4.    Quais eram as funções deste espaço?

    4.1 Que elemento decorativo foi usado nas paredes do Claustro do Cemitério e que, a   par da talha dourada, se tornou num dos principais elementos do barroco do norte  de Portugal?

 Explora este espaço, de forma a encontrares a porta de acesso ao Claustro  do Refeitório.

  5.    Completa o seguinte texto.
    Este Claustro, tal como o do ____________________, apresentava quatro lanços de seis tramos de arcaria ____________________e, no centro, um ____________________e  canteiros de pedra. A zona coberta exibia no teto trinta e dois painéis a "óleo e tinta fina"
sobre a vida de ____________________.  As paredes também estavam revestidas de   ___.

6. Porque é que este espaço pouco revela da sua traça seiscentista?

Continua a explorar o Mosteiro. Sobe à Varanda Nova para observares o  espaço envolvente.

    7.    Que Santuário pode ser avistado desta varanda?
 Bom Jesus              Sameiro                Sé de Braga

     8.    No Corredor da Livraria que obra de arte podes observar?
     8.1  Quais são as duas características do Barroco que nela estão representadas?
Regressa ao Claustro do Refeitório e procura a porta que dá acesso à Cozinha e Fornos.

     9.    O que é possível observar neste espaço?
Segue em direção ao Terreiro da Adega, sai para a Horta e procura o acesso ao Pátio do Galo.
    10. Este espaço foi concebido com que finalidade?
    11. Quais eram as funções da Cerca Conventual?
Regressa à Horta e vamos visitar a Horta-Milho que te dará acesso à Fonte de S. Bento e ao Escadório-Chafariz. Este espaço, talhado no monte e construído à luz de uma estética barroca, encena a subida aos céus. Sobe o Escadório.
     12.  Que Capela encontraste?
Depois de observares o Azulejo, a Janela e o Teto da Capela, dirige-te ao Lago.
    13. Quando é que o lago foi construído?
    13.1   Apresenta características de que estilo artístico? 
Para terminares a visita, dirige-te ao Terreiro da Adega. Procura o acesso ao Terreiro de S. João e à entrada das Cavalariças. Neste espaço encontrarás uma cadeira portátil que era conduzida por homens ou animais de carga.
    14.  Que objeto corresponde a esta descrição?  

 A tua visita virtual chegou ao fim!
15. O que é que gostaste mais de visitar? Porquê?


 Certamente gostarias de partir à descoberta de outros sítios/monumentos
com interesse histórico. Quem sabe, talvez te tenha despertado o interesse pela nossa História e, sobretudo, pelo património histórico e arquitetónico. Fala com os teus pais, amigos ou professor e agenda já outra visita… Até breve!

P.S.: Se tiveres máquina fotográfica, não te esqueças de a levar quando fores ao Mosteiro de Tibães.  Assim, poderás ilustrar os espaços visitados de forma virtual.
O

Mosteiro de Tibães


Para quem teve dificuldades técnicas, cá vai mais uma ajuda para fazer a visita virtual.



O Mosteiro de São Martinho de Tibães, antiga casa-mãe da Congregação de S. Bento de Portugal e do Brasil, é um dos mais representativos espaços monásticos barrocos do nosso país. Próximo de Braga, sobranceiro ao rio Cávado, avista-se, dos diversos locais que outrora integraram o seu Couto, outorgado pelos condes portucalenses D. Henrique e D. Teresa, em 1110.









História

O Mosteiro de S. Martinho de Tibães, antiga Casa-Mãe da Congregação Beneditina Portuguesa, situa-se na região norte de Portugal, a 6 kms a noroeste de Braga.
Património afeto à Direção Regional da Cultura do Norte/Ministério da Cultura, está classificado, desde 1944 pelo decreto lei nrº 33 587, como Imóvel de Interesse Público e protegido por uma Zona Especial de Proteção, fixada em Diário da República, I Série, Nrº 187 de 13-08-1994.
Fundado em finais do século X, inícios do XI, foi reconstruído no último terço do século XI, transformando-se, com o apoio real e a concessão de Cartas de Couto, num dos mais ricos e poderosos mosteiros do norte de Portugal. Com o Movimento da Reforma e o fim da crise religiosa dos séculos XIV a XVI, o Mosteiro de S. Martinho de Tibães assiste à fundação da Congregação de S. Bento de Portugal e do Brasil, torna-se Casa Mãe de todos os mosteiros beneditinos e centro difusor de culturas e estéticas. A importância do Mosteiro de Tibães mede-se, também, pelo papel que desempenhou como autêntico "estaleiro-escola" de um conjunto de arquitetos, mestres pedreiros e carpinteiros, entalhadores, douradores, enxambradores, imaginários e escultores, cuja produção ativa em todo o Noroeste peninsular ficou ligada ao melhor do que se fez na arte portuguesa dos séculos XVII e XVIII. E é no desempenho deste papel que o velho mosteiro românico vai ser sacrificado. Vastas campanhas de reconstrução e ampliação, de decoração e redecoração, que decorreram nos séculos XVII e XVIII e lhe deixaram marcas estilisticas que vão do maneirismo tardio ao rocaille, vão transformá-lo numa bela peça arquitetónica de grandes dimensões e num dos maiores e mais importantes conjuntos monásticos beneditinos portugueses, peça chave na rede monástica da Ordem de S. Bento do Noroeste peninsular. Com a extinção das ordens religiosas em Portugal, em 1833-1834, é encerrado e os seus bens, móveis e imóveis, começados a vender em hasta pública, processo que só terminará em 1864 com a compra do próprio edifício conventual. Desafetado das suas funções iniciais, com exceção das litúrgicas, parcialmente cumpridas pelo templo, desde logo entregue à Igreja e a funcionar como Paróquia, o Mosteiro de S. Martinho de Tibães virá a assistir, sobretudo a partir dos anos setenta do século XX, à delapidação dos seus bens, à ruína, ao abandono.
Adquirido pelo Estado Português em 1986, logo se iniciou um projeto de recuperação que, através das obras "de salvação" prioritárias e de intervenções provisórias no Edifício e na Cerca, deu os seus frutos permitindo oferecê-lo à fruição pública, dinamizá-lo culturalmente e conceber o seu Reuso.


        Sinopse cronológica
1077 - Primeira referência ao mosteiro de Tibães: uma doação de Boa Gonçalves à Sé de Braga da sexta parte dos bens que possuía em Tibães, localizados perto de “onde agora se fundou o mosteiro”. Admite-se que a fundação do mosteiro terá ocorrido pouco antes
desta data por iniciativa de D. Paio Guterres da Silva, no reinado de D. Afonso VI.
   ADB – Gavetas, LIBER FIDEI, fl. 46 46v. (Costa, 1965, 158:doc.,136)
1086
D. Paio, Abade de Tibães, confirma como “Abbas de Arcisterio Tibillianes” a doação   de
Miguel Frojaz à Sé de Braga, o que atesta a importância do Mosteiro de Tibães em
“rendas e edifícios”. (ASCENSÃO 1745, fl. 45)
1110
Conde D. Henrique e D. Teresa doam ao Mosteiro de Tibães as terras adjacentes ao
mesmo e fazem-lhe a outorga da Carta de Couto que passa de três legoas em giro e onde o Dom Abade detém, entre outras, as jurisdições de Ouvidor, Capitão-Mor, Caudel-Mor e  Repartidor das Armas e escolhe o Juiz do Couto no crime e no cível.
(ASCENSÃO 1745, fl. 45)
1135 -D. Afonso Henriques concede ao Mosteiro de Tibães o Couto de Donim, situado junto ao Rio Ave, entre Guimarães e Braga, e dá ao Abade de Tibães o título de Reverendíssimo. 
(TOMÁS 1974, 382)
1140 - D. Afonso Henriques couta os domínios tibanienses de Vila Mendo e Estela, junto à Póvoa de Varzim. Os domínios do Mosteiro de Tibães passam a estender-se das margens do Cávado à cidade de Braga, do Ave à costa Atlântica, transformando-o num dos mais ricos e prestigiados mosteiros da Arquidiocese de Braga. 
(TOMÁS 1974, 382)
1489 - D. Jorge da Costa, o Cardeal Alpedrinha, é nomeado Abade Comendatário do Mosteiro de Tibães dando fim ao tempo das prelazias dos abades perpétuos. 
1535?/1550 - Governo do abade comendatário Frei António de Sá que, contrariamente aos que o precederam, encontrando o Mosteiro todo arruinado e sem condições de recolher monges entrou (...) a reparar o q. podia servir, mandou fazer hum dormitorio onde recolheo os Monges mandou fazer noviciado, e todas as mais offecinas necessarias para huma comonidade viver e governarse sem falta dentro da Clauzura. 
(ASCENSÃO 1745, fls. 160-165)
1565 - Morte de D. Bernardo da Cruz, o último abade comendatário, acontecimento que vai motivar um forte impulso na implementação da reforma beneditina começada, seis anos
antes, no Mosteiro de Santo Tirso.
1569 - Fr. Pedro de Chaves é nomeado D. Abade de Tibães, Reformador e Geral da Ordem e ao mesmo tempo é escolhida a caza de Tibães, por Cabeça da Congregação.
(TOMÁS, 1974, 392)

Coro Alto









O Coro alto servia para a recitação das "Horas" tipicamente monásticas, como eram as Matinas, as Laudes e as Horas Menores. Os monges, usando obrigatoriamente a cogula, entravam de joelhos e, no cadeiral, permaneciam longas horas em canto litúrgico, seguindo os grandes livros iluminados, colocados na estante coral, e que eram as bíblias, antifonários, graduais e saltérios. De pé, só se sentando para a recitação dos salmos e durante as leituras, encontravam algum conforto com o apoio nas "misericórdias" e grande estímulo no exemplo das vidas de S. Bento e Santa Escolástica, representadas nos oito quadros grandes das paredes do coro.




     A Misericórdia com figura humana ou de animal permitia que o monge se encostasse                                                enquanto se mantenha longas horas de pé.




O Coro é, assim, essencialmente ocupado pelo cadeiral. Construído entre 1666-1668 e atribuído a António de Andrade, é de planta em U e dispõe-se em duas filas, com a de trás em plano mais elevado. As cadeiras, com decoração entalhada, são de assento levadiço e têm, no lado inferior, pequenas mísulas, as misericórdias, com a forma de máscaras fantasiosas de rostos humanos, sátiros e animais. Os espaldares, que constituem a parte mais artística do cadeiral, são estofados, dourados e policromados e a sua imaginária fala-nos de figuras e factos beneditinos.




                         Figuras geminadas a separar quadros ligados à vida religiosa
         

                                                    









                                        Figuras geminadas que separam os quadros







                                      Figuras geminadas que separam os quadros



                                       Figuras geminadas que separam os quadros
 Separados uns dos outros por pilastras com esculturas geminadas ostentando toucados de folhagem são um testemunho da magnífica talha proto-barroca que se produziu no Mosteiro de Tibães e que rivaliza condignamente com os gradeamentos oitocentistas de pau preto e bronzes dourados, com o oratório do Cristo Crucificado de Frei José de Santo António Vilaça e com o órgão do mestre organeiro Francisco António Solha, com caixa "riscada" por Frei José de Santo António Vilaça.~

                                      

            Pequeno suporte para colocação dos livros usados pelos monges para cantarem




                                                       Grande suporte - estante








                                                       Livro de música

                           Cristo voltado para o cadeiral dos monges, onde estes passavam
                                                            grande parte do seu tempo.






                            Cimo do órgão com as três virtudes teologais: Fé; Esperança e Caridade.






Cadeira abacial




Salão Ouvidoria




Lembrando os privilégios judiciais inerentes a terra coutada, liguemo-los a este espaço. Era aqui que, até finais do século XVIII, o Dom Abade de Tibães, sentado na cadeira abacial e ostentando a Vara do Ouvidor, atendia às reclamações dos habitantes do Couto, que insatisfeitos com as decisões do Juiz do Couto, a ele apelavam.
Construído entre 1683-1686 e reformulado em finais do século XVIII, quando é dada nova forma aos Aposentos do Abade Geral, apresenta ainda da imponência de outrora os grandes tabuões de pinho manso do chão e o belo teto de grandes caixotões de madeira de castanho entalhada com cachorros e florões policromados. Os azulejos setecentistas de inspiração Flamenga e o grande quadro de moldura entalhada e originalmente dourada, representando São Martinho. Faltam-lhe os "seis bancos de encosto grandes e inteiros que rodeavam a sala", o relógio de caixa pintada e os quadros das paredes.
Um dos direitos inerentes a ser terra coutada era o da prática da justiça cível e dos pequenos crimes. No couto de Tibães, esta esteve até 1790, data da extinção das ouvidorias privadas, a cargo de um juiz, escolhido pelo abade entre os dois eleitos pelos habitantes do couto, e de mais três elementos de governação. Ao abade, como ouvidor, recorriam os moradores em apelação. Eram recebidos na
Ouvidoria.
Ao longo dos dois últimos séculos este salão foi recebendo outros usos e outras configurações. A última remodelação monástica decorreu entre 1801 e 1804 quando reformularam a escada e construíram uma grande Clarabóia toda envidraçada e pintada. Dos seus diversos tempos chegaram até nós os grandes tabuões de pinho manso; o tecto em madeira entalhada e pintada; os silhares de azulejos da 2ª metade do século XVII; o grande quadro a óleo sobre madeira de São Martinho; os retratos dos arcebispos de Braga, São Vítor e São Frutuoso, do confessor de Santo Inácio de Loiola, Frei João Chanones e as molduras das pinturas do rei suevo Teodomiro e de São Martinho de Dume. Dos seis bancos de encosto grandes e inteiros que rodeavam a sala e do relógio de caixa pintada, que deixou marcas na parede, só ficaram os registos.



Galeria dos Gerais




Dormitório nobre, aqui se situavam as celas do Dom Abade (até 1786), do Companheiro do Reverendíssimo e do padre Secretário, a Cela das Visitas, a Secretaria e a "Caza dos Despechos da Sacristia".
Construído com grande gosto e conforto entre, 1686-1689, apresentava teto de caixotões pintados a azul e branco; soalho de grandes tabuões; paredes, rebocadas e caiadas, cobertas de quadros de papas, bispos, reis, príncipes e dos filósofos Diógenes, Séneca, Platão e Aristóteles e rematadas por uma cinta de azulejos de inícios de setecentos; grades de ferro trabalhadas nas janelas e sacadas. As celas, contrariamente às da Hospedaria, eram grandes, bastante confortáveis e, mesmo, luxuosas. As vidraças das portadas e janelas protegiam-nas do frio e do vento, o mobiliário variado e de boas madeiras conferiam-lhes conforto e bem estar.



Hospedaria




 O acolhimento dos hóspedes e dos peregrinos mereceu de S. Bento um tratamento especial na sua Regra. Receber os hóspedes era um ato de fé, por isso os beneditinos, ao longo dos tempos, sempre levaram muito a peito o acolhimento e receção dos seus hóspedes, entregando-os ao cuidado do Monge Hospedeiro que nunca devia perguntar-lhes novas do mundo, mas sim tratá-los com palavras santas e devotas. O hóspede devia obediência ao Abade, tinha de respeitar a regra do silêncio, de assistir ao ofício da Terça e das Completas, e não comunicar com a comunidade. Comia no Hospício, local distinto do Refeitório conventual, e era-lhe exigido um pagamento pela estadia, se ficasse por um período superior a três dias.
Esta hospedaria, construída em finais do século XVII, com teto e soalho iguais aos da ala norte, tinha 16 celas para os hóspedes, a casa da rouparia, a casa da roupa das hospedarias e as secretas. As celas eram pequenas e tinham como mobiliário uma cama, algumas cadeiras e uma mesa de castanho com uma ou duas gavetas e eram alumiadas por velas em castiçais de latão. A rouparia constava de lençóis, travesseiros e travesseirinhas de linho, cobertores de papa, mantas brancas, colchas de chita, de algodão, de felpo e de damasco, toalhetes e toalhas das mãos.

secretas ( W.C.)

Passadiço





Para bem estar dos "Gerais" e comodidade dos hóspedes, a administração beneditina de Tibães, inspirada nos cenários teatrais do barroco, cortou dos seus olhos a zona de serviço do Mosteiro, ou sejam as adegas com o lagar, os celeiros, as cortes, os bebedouros dos animais. Fê-lo, entre os anos de 1731 e 1734, com a construção de um Passadiço que, de nascente para poente, unia o Coristado à Hospedaria. Abobadado de tijolo e coberto de pedra de esquadria, com alegretes para flores, assentos e parapeitos de pedra lavrada, apresenta arcadas para a zona de serviço a sul e para norte, para a portaria, um grande pano de parede rebocada com um nicho de pedra lavrada com a imagem de vulto, em terracota, de S. João Batista.
A norte do Passadiço levanta-se, implantado sobre uma plataforma octogonal elevada, o Jardim de S. João. Ladeado por alegretes tem oito canteiros contidos numa "sebe" de cantaria de granito e no meio um chafariz de pedra lavrada, outrora pintada e dourada.
Todo o conjunto, incluindo a fonte de pedra lavrada com o cordeiro lançando água pela boca do meio do passadiço, é obra do mestre pedreiro Manuel Fernandes, da Cidade de Braga.



Barbearia e Botica






                                                                    
                                                            
                                           Farmácia - produtos preparados pelo monge boticário




De acordo com os documentos normativos beneditinos o barbeiro deslocava-se ao Mosteiro de 12 em 12 dias para barbear os monges. Desde a véspera desse dia que um caldeirão de água fervia com carqueja na barbearia que, para além de estar equipada com todos os apetrechos necessários ao seu funcionamento, possuía também armários fechados para a roupa. O barbeiro, a quem era pago no século XVII a soldada anual de 70 alqueires de pão meado, 1 marrã de 50 arráteis ou 1.000 reis, 500 reis de sabão e 4 alqueires de trigo como pitança, também fazia sangrias, lançava sanguessugas e tirava dentes.
Em 1797 o espaço da barbearia foi reduzido para, na sua extremidade norte, ser montada uma botica "para o gasto da caza e dos Pobres com manifesta utilidade pela promptidão dos remedios e ainda pela diminuição do Gasto." Para seu serviço, meteu-se um registo de água, puxada da Fonte do Galo, e construiu-se um fogão de pedra, na chaminé. Apetrechou-se com tudo o necessário, desde os utensílios aos potes, mangas e almofarizes até às drogas e ervas medicinais, não esquecendo as publicações especializadas, com relevo para as farmacopeias.
Na botica mandava o monge boticário que, entre os beneditinos, tinha de ser filho legítimo e saber latim. Para poder exercer e desenvolver a sua arte, era-lhe concedido, assim como ao praticante, um estatuto especial, que passava pela isenção de alguns ofícios e atos do coro e por acomodações próprias, que lhes permitiam ter ou gozar de uma maior liberdade para melhor efetuarem o seu trabalho.
Em 1834, a existência da botica no Mosteiro de Tibães e a distribuição gratuita de remédios da botica a todos os enfermos pobres da freguesia  era uma ação muito meritória destes monges.  Quando o  Mosteiro foi encerrado e se procedeu à venda em hasta pública dos seus bens, a botica foi comprada por 26$100 réis, pelo boticário de Barcelos, José Moutinho de Carvalho.

Sala do Taco




Proibidos pelas Constituições de praticar jogos de azar, os monges podiam jogar o gamão, o xadrez e o bilhar.
Jogo do taco ou do vilhar era, no século XVIII, o nome para o atual jogo do bilhar e era com um deles existente nesta sala que os "Religiosos se divertem e fazem util exercício nas horas vagas dos exercícios Monasticos". Para além do bilhar, a sala apresentava quadros, de Aristóteles, Platão, Séneca e Diógenes, pintados por Frei José da Apresentação, o pintor portuense José Teixeira Barreto, mapas geográficos dos quatro continentes e um mapa-múndi.


Sala do Capítulo



                                                            


Existente em todos os mosteiros, o Capítulo era a "cabeça", o local das grandes decisões.
No Mosteiro de Tibães era nesta sala, com a grande Mesa do Definitório, coberta de cordovão preto e guarnecida, em redor, de panos verdes com galão verde de lã; a grande cadeira de braços do Reverendíssimo, com assento e encosto de damasquilho preto com cabelo e os quatro canapés com assentos e encostos de almofadas, que se reunia, de três em três anos, no terceiro dia do mês de maio, dia da festa da Santa Cruz, a Congregação de S. Bento de Portugal e da Província do Brasil. Abades, Visitadores, Definidores, Padres Companheiros e Secretários, Priores, Mestres dos Noviços e Mestres de Teologia juntavam-se para eleger o Geral, os Dom Abades e todas as prelazias de cada mosteiro e providenciar do governo trienal da ordem, quer no campo espiritual, quer no material.
Grande, bem proporcionada, profusamente iluminada pela copiosa luz do poente e inundada pelos intensos cheiros da Cerca, a "Caza do Capitulo" é um dos espaços mais nobres e belos do Mosteiro. Apesar de construída em 1700, de cuja época mantém o bonito teto de caixotões de madeira pintada, rematados por uma platibanda policromada de madeira entalhada, com mísulas, folhas, urnas, cabeças de anjos e pássaros, foi completamente reedificada no triénio 1783/1786. Então, rasgaram-se-lhe as amplas janelas com sacadas, solhou-se de novo com grandes tabuões de pinho manso, montou-se um novo retábulo com risco de Frei José de Santo António Vilaça e um quadro alusivo ao Espírito Santo, decoraram-se as paredes com painéis de azulejo rococós sobre passos da vida de José do Egito e puseram-se os grandes quadros com ricos caixilhos de madeira entalhada, pintada e dourada de S. Bento e de Santa Escolástica, de Frei Plácido Villa Lobos e de Frei Pedro de Chaves (os reformadores quinhentistas da Ordem Beneditina); de D. Sebastião e do Cardeal D. Henrique; dos Papas Clemente XIV e Pio VI. Estes quadros, alguns da autoria de Frei José da Apresentação, vieram fazer companhia aos 50 retratos da "Galeria dos Gerais", mandada pintar em 1758. A maior parte deles vendidos pelos antigos proprietários do Mosteiro nos anos oitenta, ou se encontram dispersos ou são propriedade do Mosteiro de Singeverga.


Livraria


 Foi uma das melhores Livrarias da província de Entre-Douro-e-Minho e uma das mais bem apetrechadas. Pensa-se que em 1834 existiriam cerca de 4.000 títulos, para um total de 10 a 12 mil volumes, cobrindo a teologia, a jurisprudência canónica e civil, a filosofia, a literatura e a história, sobretudo a portuguesa. A maior parte destas espécies seria do século XVIII, mas possuía, também, obras dos séculos XV, XVI e XVII.
No respeitante ao setor dos impressos, em 1798, ano em que Frei Francisco de São Luís elaborou o índex e ordenou cientificamente a Livraria, o seu acervo era composto, segundo o historiador Oliveira Ramos por 3.218 obras com predomínio da Teologia e da História. Quase metade do recheio era composto por livros em latim, constituindo as obras em português, cerca de 32,7% do total.
A existência de obras como os vários dicionários portugueses e estrangeiros; a encyclopedie (35 volumes); a encyclopedie méthodique (132 volumes); as edições da Academia das Bellas Letras; as Memórias da Academia Real; as inúmeras gazetas nacionais e estrangeiras; os exemplares do Investigador Português; as publicações do Instituto Francês, da Academia Real das Ciências de Paris e da Universidade de Coimbra e os trabalhos de famosos autores acádicos, nacionais e estrangeiros, provam a presença do iluminismo nos meios beneditinos e a penetração da ilustração nos seus claustros. Por outro lado, o trabalho de ordenação da Livraria, a criação dos índex, quer dos impressos, quer dos manuscritos; a existência de uma verba própria, fixa em capítulo geral e a compra sistemática de publicações como as gazetas, os jornais e as enciclopédias revelam a existência de uma política de fomento cultural, que passava pelo financiamento, atualização e sistematização e era, ela própria, reflexo do grande dinamismo intelectual da ordem beneditina.
Em maio de 1834 a Comissão Administrativa dos Conventos Abandonados, criada em 1833 para conhecer e recolher todos os bens de valor existentes naqueles locais e entregá-los aos museus e bibliotecas existentes ou em formação, autoriza que Alexandre Herculano, então 2.º bibliotecário da Real Biblioteca Pública do Porto, retirasse de Tibães as espécies bibliográficas que mais lhe interessassem e que João Batista Ribeiro levasse para o Museu Portuense, a ser instalado, na altura, no Convento de Santo António do Porto, a coleção de pinturas e as estampas da Casa das Pinturas do Mosteiro de Tibães. E se dos quadros e estampas ainda hoje conhecemos o rasto, do acervo da livraria perdêmo-lo por completo, porque não só desapareceram, por incúria ou venda, muitos exemplares, como os que foram depositados nas bibliotecas, quer na do Porto, quer na de Braga, são praticamente impossíveis de identificar, dada a falta de listas de depósito.


Pátio do Galo









                       "Quando o galo cantar tu ter-me-ás negado três vezes" - disse Jesus a S. Pedro

Concebido inicialmente como uma varanda sobre a Cerca, com assentos, canteiros de flores e uma fonte alimentada pela água da mina da Cabrita, conduzida até ao Mosteiro por aquedutos e arcos de pedra, foi remodelado em 1727. Altura em que, transferindo parte da fonte original para o patamar de S. Bento, construíram outra "por tal forma e arte que do pátio della se veem as ortas e pomares que se não viam dantes pelo que nella estava ser mto larga e tomar toda a vista"
É desse tempo com certeza que lhe vem o nome de Pátio do Galo, derivado da Imagem de S. Pedro e do Galo, esculpido no granito, donde brota a água.
Em 1801, com a construção de uma escada e a abertura de uma rua ornada dos lados com canteiros e buxos aparados, ensombrada por uma latada que corria e atravessava todas as hortas, transformaram-no em saída para a Cerca.

Refeitório

Mesa do refeitório
Púlpito onde um monge lia passagens de livros sagrados enquanto os outros comiam.


"À mesa dos irmãos não deve faltar a leitura. Guarde-se absoluto silêncio, de forma que não se ouça murmúrio ou palavra de ninguém, a não ser somente a voz do leitor" (RB, 38,1.5)
O Refeitório, iluminado a sul por sete grandes frestas, tinha 17 mesas com plintos de pedra e assentos, colocados sobre cachorros de pedra, com espaldares de azulejo e supedâneos de madeira. No meio do maior silêncio, o monge leitor, do alto do púlpito, lia os textos sagrados. A proibição de falar no refeitório era tão rigorosa que a disciplina monástica chegou a formular uma autêntica gramática de gestos e sinais para os monges comunicarem aos serventes as suas necessidades durante a refeição.
Excluindo os dias de jejum existiam duas refeições: o jantar e a ceia, marcadas pelas principais orações quotidianas. Assim, o jantar tinha lugar, consoante a época do ano, às 10.00 ou às 11.00 horas, exceto durante a Quaresma em que só era servido depois do ofício das Vésperas; a ceia comia-se após as Completas. Nos dias de jejum, em vez da ceia, tinham uma refeição ligeira - a colação.
Ao jantar, nos dias de carne, servia-se, em norma, 1/3 de arrátel de picado ou fumado de carne de vaca e um arrátel de vaca e uma talhada de toucinho; nos dias de peixe havia um "principio de legumes ou cousas semelhantes" e 1 arrátel de peixe com a sua "assoudela de caldo ou de grãos ou de ervas ou cousa semelhante". Havia sempre arroz. Os monges que não comiam peixe tinham nos dias de jejum 3 a 4 ovos. À ceia, nos dias de carne, comia-se 0,5 arrátel de carneiro; nos outros, «um principio", três quartos de peixe ou 2 ou 3 ovos, produtos da horta como rábanos, alfaces e outros semelhantes e, às vezes, talhada de queijo, azeitonas ou fruta. À sobremesa tinham essencialmente fruta, fresca ou em compota, ficando os doces, como o arroz doce, os pastéis, os ovos reais e as covilhetes de doce para os dias de «folga conventual" e festas solenes. Bebiam, sobretudo, vinho de "acima do Douro" e, se cumprissem as Constituições, serviam-se de 1 quartilho ao jantar e outro à ceia e meio nos dias de colação.


Cozinha







Sob as ordens do Padre Mordomo, nela trabalhavam o 1º e o 2º cozinheiros, os dois forneiros e os moços.
Localizada numa das zonas de edificação mais antiga, sofreu obras de vulto quando, entre 1701/1704, "se acrescentou a cozinha e forno e se fez tudo de novo com chaminés e seis arcos, que em toda a obra se fizeram de esquadria, com hua pia nova e um esguicho na fonte e cinco grades de ferro e duas vidraças».
Dividida em três espaços distintos - a cozinha, propriamente dita, com o lar e os ferros de pendurar panelas e caldeirões, os armários embutidos, a pia de pedra com fonte, o moinho de pedra de ralar e a mesa de pedra; a casa dos fogões de pedra junto ao Refeitório e a casa dos dois fornos com as grandes tulhas - é ainda hoje, não obstante o vazio e alguma ruína, um espaço de grande dignidade arquitetónica a que não é estranha o vetusto lajeado do chão e a perfeição da lavrada mesa de pedra.


Claustro Refeitório






Assim como o Claustro do Cemitério, este Claustro era um núcleo ordenador do edificado e onde se situava alguns dos espaços mais importantes do Mosteiro. No piso térreo, na ala norte, no trânsito entre os dois claustros, situava-se o Cartório da Congregação e do Mosteiro, onde se guardavam, por gavetas, os diplomas de caráter religioso, administrativo e económico, na ala poente, o Hospício, a sala de comer dos hóspedes e peregrinos e a Despensa; na ala sul, o Refeitório. No primeiro piso existiam os dormitórios, exceto numa parte da ala poente que recebeu, entre 1786 e 1789, a Casa de Comer para os hóspedes de graduação e, em 1816, a Casa das Pinturas.
Destruído por um grande incêndio, em 11 de julho de 1894, e espoliado nos tempos seguintes pouco revela da sua traça seiscentista. Construído a partir de 1614 apresentava, tal como o Claustro do Cemitério, quatro lanços de seis tramos de arcaria toscana e, no centro, chafariz e canteiros de pedra. A zona coberta exibia no teto trinta e dois painéis a "óleo e tinta fina" sobre a vida de S. Bento e, nas paredes, silhares de azulejos de padronagem policroma de laçarias e parras. Ficaram para a memória alguns restos de azulejos, e no espaço do Refeitório, o lajeado de granito do chão, o púlpito e os armários de pedra.


Cerca Conventual



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A Cerca de 40 hectares, a maior cerca monástica preservada em Portugal, é única no seu género uma vez que combina funções agrícolas e de mata com o jardim barroco.
Tal como o Edifício, também a Cerca, situada nas faldas do Monte de S. Gens na sua encosta norte virada ao rio Cávado, sofreu profundas alterações ao longo dos tempos. Encimado pela Capela de S. Filipe, o Monte de S. Gens é ocupado a meio pela Capelinha de S. Bento e ao fundo pelo Mosteiro. Ocupado atualmente por Pinhal e Eucaliptal só dentro da Cerca do Mosteiro a vegetação climácica consegue ir recuperando o seu espaço secular, servindo de refúgio e habitat a centenas de espécies da nossa Fauna e Flora. Podemos aqui observar entre outras plantas da associação do Carvalho do Norte (Quercus robur), o protegido Azevinho (Ilex aquifolium),o Loureiro (Laurus nobilis), a Aveleira (Corylus avellana), o Medronheiro (Arbutus unedo), a Gilbarbeira (Ruscus aculeatus) e o Bordo (Acerpseudoplatanus).
As terras do Mosteiro eram muradas. Os muros começaram por envolver os terrenos mais próximos - a "Cerca pequena" e mais tarde fez-se a "Cerca da mata". Este muro com mais de três metros de altura é o que ainda hoje delimita a Cerca. Na Cerca pequena que englobava as Hortas, os Pomares, a Casa do hortelão, a Capelinha de S. Bento, as fontes das Aveleiras, dos Tornos e do Pevidal, os monges, no séc. XVIII, associando o poder económico à estética barroca, marcante nas obras em curso no novo edifício conventual, implantaram eixos formados por sebes de buxo, muros brancos e caminhos ensombrados por ramadas, que direcionavam o espaço para: um ponto de água, enquadrado por majestosa fonte ou tanque de pedra lavrada; um percurso pela mata onde a exuberância da vegetação surpreende; uma "rua das fontes" ou escadório onde, através duma sucessão de 7 fontes trabalhadas, intercaladas por escadas e patamares lajeados, contrastavam nas suas cores e doirados com os pomares envolventes, sobe até ao Jardim e Capelinha de S. Bento. A estrutura deste espaço chegou até nós intacta e com vestígios de buxos, rebocos, ramadas e fontes.
Por Jardins do Mosteiro de Tibães estavam designados os espaços do Claustro do Cemitério, do Claustro do Refeitório, Jardim de S. João, Jardim da Capelinha de S. Bento e Jardim do Jericó. Estes espaços eram trabalhados pelo Hortelão que cuidava também dos Alegretes do Passadiço e do Pátio do Galo. Os canteiros eram contidos por sebes de buxo ou por cantaria de granito. Vindo de diversas Minas, a indispensável água, chegava até estes locais por uma elaborada rede de alcatruzes de barro, caleiros de pedra e canos de chumbo que dotavam as fontes do elemento necessário a toda uma encenação barroca. Esta corrente estética que trata o espaço de modo a criar ilusões, mostrar grandeza e deslumbramento e onde a arquitetura se molda à paisagem foi ilustrada em Portugal pelo Escadório. A última grande intervenção ainda visível, ao nível do construído, na Cerca do Mosteiro, foi o Lago. Construído entre 1795-98 "por não haverem águas suficientes para o engenho de serra trabalhar", é "de cantaria em volta". A sua forma elíptica remete-nos ao barroco final. Alimentado pelas águas de cinco minas este potencial energético fazia funcionar além do engenho de serrar madeira, três moinhos e um engenho de azeite. Os engenhos e moinhos refletem a importância da transformação dos produtos agrícolas e florestais. Recordemos que o suporte económico dos Beneditinos para todas as intervenções operadas nos séc. XVII e XVIII foi a criação e gestão eficiente da estrutura agrícola. Assim a importância da Cerca de Tibães não se prende só com os seus jardins, mas também por ser um exemplo da sábia utilização da terra, explorada agrícola e florestalmente apoiada por importantes obras hidráulicas.
Acompanhando o Mosteiro na agressão do tempo, a Cerca viu desaparecer as pinturas e doirados dos muros e fontes, as imagens das Virtudes, as próprias fontes, as árvores da mata e dos pomares. Até mesmo os socalcos, vestígios da conquista do Monte de S. Gens, e as minas de água sofreram grandes transformações com a exploração do volfrâmio em 1944. Apesar de tudo, permaneceu até aos nossos dias um fabuloso espaço que constitui um Jardim Histórico em recuperação. Atributos reconhecidos internacionalmente com a atribuição, em 1998, do prémio "Carlo Scarpa per il Giardino" atribuído pela Fundação Benetton Studi Ricerche.


Aqueduto



sistema de rega






Sala do Recibo




Era um dos poucos espaços de contacto com o exterior, situado junto à portaria do carro, e destinava-se ao armazenamento dos produtos agrícolas provenientes dos foros e pensões sobre as terras do mosteiro sujeitas a arrendamentos. Recebia-os o padre recebedor que arrecadará o mais cedo que puder, porque depois que o lavrador tem o pão em casa é lhe ruim de tirar da mão. Celeiro do mosteiro, com tulha, caixão, medidas, pás, rodos e crivos, era um centro administrativo importante. Em 1750 aqui se encontravam dois cartórios um do Mosteiro, outro da Congregação e no armário de parede os livros referentes à administração.
Construída em finais do século XVII, foi alvo de obras nos inícios do século XIX, quando se fizeram de novo as tulhas, se puseram as linhas de ferro nas paredes e se atijolou o chão.
No âmbito das obras de recuperação, atribuíram-se-lhe novos usos: receção do monumento, no espaço onde antigamente eram depositadas as galinhas e o vinho, e sala de exposições temporárias no salão do celeiro. A memória do uso monástico perdura nas tulhas, no chão de tijolo, no armário, nas réplicas dos livros e no mobiliário.



Portaria Sra do Pilar








Quando a sineta tocava, e se já era dia claro e não tinham soado ainda as Avé-Marias, a porta era aberta pelo Monge Porteiro, um ancião prudente que, depois de olhar pelo ralo, a todos devia responder com modéstia, humildade e cortesia e aos pobres, com benignidade e paciência, distribuir pão e remédios.
A Portaria de Cima, construída em finais do século XVII, guarda como marcas desse uso a velha porta, encimada pela Imagem da Sra. do Pilar, criada, em 1721, pelo escultor beneditino Frei Cipriano da Cruz, com o ralo e a sineta e os armários, para o pão e os remédios. Estes, ladeiam a escada que conduz ao piso superior e que, tal como a outra que desce para a Portaria dos Carros, e de "pedra muito bem lavrada".





Claustro Cemitério





                                                          Azulejo barroco com perspetiva
Aqui podem ser desenhadas as linhas laterais e a central que convergem no mesmo ponto de fuga.




Orando, lendo e meditando na vida do seu Patriarca S. Bento, tratada nos belos painéis de azulejo das paredes do claustro, os monges de Tibães, guardando silêncio, passavam algum do seu tempo no Claustro do Cemitério. Espaço que, como o nome indica, era também um local de enterramento da comunidade monástica, a par com as suas capelas laterais e a própria Igreja.
Construído na primeira metade do século XVII, sobre partes da edificação medieval do mosteiro, apresenta lanços de arcaria toscana, teto em caixotões de madeira, um chafariz de granito lavrado de 1757, oito canteiros e mutilados painéis de azulejos pombalinos de 1770. Na sua ala sul, fortemente arruinada pelo grande incêndio que, em 1894, destruiu o anexo Claustro do Refeitório, perduram as trabalhadas portadas em granito das capelas do Claustro, de invocação a S. Mauro e a N. Srª, desenhadas em estilo rococó por Frei José de Santo António Vilaça, entre 1761 e 1764.

Igreja











    
Cantar e rezar era, segundo as Constituições Beneditinas, o principal ato para que Deus elegeu os monges e os tirou do mundo. Faziam-no em oito ofícios divinos que acompanhavam a divisão das horas romanas, que aconteciam de três em três horas, começando com as Matinas e acabando com as Completas, e tinham lugar na Igreja ou no Coro Alto. Mas se havia ofícios caracteristicamente monásticos e fechados à população, havia também os outros atos litúrgicos virados especialmente para os fiéis a quem era necessário convencer e dominar emocionalmente. Assim, servindo a difusão de uma religiosidade triunfante e em harmonia com uma sociedade áulica em formação, os monges de Tibães conceberam, no século XVII, um templo onde a imagem funcionasse como um importante emissor da mensagem religiosa.
A atual Igreja, construída no local da antiga igreja românica, foi erigida entre 1628 e 1661 seguindo ainda a conceção maneirista. Apresenta planta em cruz latina, nave ampla com pesada abóbada de cantaria, três capelas laterais de cada lado e dois altares no transepto. Mas, se num primeiro momento o programa decorativo seguiu a gramática maneirista, ainda visível no retábulo da Capela de Santa Gertrudes, a pouco e pouco a linguagem barroca, nas suas diferentes propostas, o rococó e mesmo o neoclássico irão instalar-se ocupando capelas, retábulos, órgão, púlpitos, sanefas, caixilhos, portas e janelas, grades, bancos e estantes concedendo campo privilegiado de expressão à talha dourada mas não esquecendo e, muito pelo contrário, articulando-a magnificamente com a escultura, onde sobressai o trabalho notável de Frei Cipriano da Cruz, o mobiliário, a ourivesaria e os têxteis.
Foi o trabalho notável de um grupo de arquitetos, entalhadores, escultores e douradores, onde se encontram nomes como Manuel Alvares, Frei João Turriano, António de Andrade, Frei Cipriano da Cruz, Agostinho Marques, António Fernandes Palmeira, André Soares, José Álvares de Araújo, Frei José de Santo António Vilaça, Luís de Sousa, que tornaram a Igreja do Mosteiro de São Martinho de Tibães num dos mais elevados expoentes da arte portuguesa.









Sacristia


 Num ritual relacionado com o batistério e a pia de água benta, os sacerdotes purificavam as mãos antes das funções sagradas. Era essa a principal finalidade do "lavabo" de granito de finais do século XVII que se ergue do lado esquerdo da porta da Sacristia. Espaço que, tal como hoje, funcionava como apoio às funções litúrgicas que ocorriam na Igreja e para as quais era fundamental a existência do mobiliário de sacristia, aqui magnificamente representado pelos grandes arcazes de castanho, de tremidos e vazados em latão dourado, os guarda-roupas e escriptórios e a credência.
Construída no triénio de 1680-1683, é uma sala ampla e proporcionada com teto em abóbada de berço, de caixotões em granito pintado, chão de pedra de Montes Claros, mármores brancos e vermelhos e lousa de Valongo, sendo iluminada por três grandes janelões. Apesar da sua decoração ter sido profundamente remodelada na segunda metade do século XVIII, época de que são os retábulos, com o Crucifixo e a Imagem de S. João Evangelista, os caixilhos, as sanefas, criação rococó de André Soares e Frei José de Santo António Vilaça, e as pinturas dos quatro evangelistas, executadas em 1763, pelo pintor italiano Pasquale Parente, mantém do programa inicial, para além do mobiliário, o maior conjunto da escultura portuguesa constituído por 12 figuras em barro policromado, da autoria de Frei Cipriano da Cruz, reproduzindo quatro reis santos beneditinos, as sete virtudes e uma alegoria à Igreja.