VISITA
DE ESTUDO À IGREJA MATRIZ DE S. COSME e S. DAMIÃO (GONDOMAR)
És, agora, capaz de fazer um pequeno relatório que refira por que razão a igreja de S. Cosme, construída no tempo do rei D. João V e das directrizes saídas do Concílio de Trento apresenta a gramática decorativa conhecida por estilo joanino. Não te esqueças de dar pormenores e de referir por que razão Gondomar poderia construir igrejas deste tipo.
No dia 12 de Março de
2013, os alunos da turma A do 8º ano de escolaridade realizaram uma visita de
estudo à Igreja Matriz de S. Cosme em Gondomar, no âmbito da disciplina de
História.
Com a realização desta
visita de estudo pretendia-se que os alunos observassem a igreja de forma
pormenorizada, compreendendo um pouco mais da sua história e acima de tudo que
a relacionassem com a arte barroca no contexto da contra-reforma. Desta forma e
aproveitando o facto da Igreja Matriz de Gondomar se localizar a poucos metros
da EB 2, 3 de Gondomar, eu e a Professora Fátima Gomes, durante uma aula de 90
minutos, realizamos esta visita de estudo proporcionando aos alunos a
oportunidade de observar aspectos do seu quotidiano, dotando-os de significado.
No decorrer da visita os
alunos fizeram-se acompanhar por um roteiro, que além de lhes fornecer
informações sobre a igreja, continha perguntas que exigiam a atenção dos alunos
no sentido de as responder correctamente. Deste modo a visita teve início na
parte exterior da igreja com a observação e descodificação da entrada principal
e lateral e prosseguiu já no interior com a análise da capela-mor e dos
diversos altares que a constituem.
A realização desta visita
de estudo revelou-se muito proveitosa, pois tratou-se de uma aula diferente,
que implicou uma saída ao exterior e a execução de um trabalho mais prático e
de investigação por parte dos alunos com o preenchimento do roteiro. A visita significou
uma nova experiência para os alunos, que na sua maioria conhecia bem a igreja,
contudo desconhecia a sua história e o significado dos elementos que a
constituem. E por último, permitiu aos alunos a consolidação dos seus
conhecimentos sobre a arte barroca desenvolvida nas aulas anteriores, de uma
forma muito mais prática, significativa e associando-a a elementos com os quais
lidam no seu quotidiano.
A reacção dos alunos em
relação à visita de estudo foi bastante positiva, uma vez que os mesmos se
mostraram interessados, motivados e curiosos, o que foi notório através do
preenchimento do roteiro que todos concluíram e pela quantidade de questões
pertinentes que foram colocando no decorrer da visita.
Para mim que desconhecia
a Igreja Matriz de Gondomar, a visita foi muito interessante e útil, não só
pela parte pedagógica de acompanhamento e estreitamento de relações com os
alunos, mas também ao nível de aperfeiçoamento de conhecimentos sobre a arte
barroca em Portugal.
Posto isto, passo a
apresentar o roteiro elaborado propositadamente para a visita de estudo com a
respectiva correcção e o relatório de uma aluna sobre esta visita, trabalho que
foi solicitado a todos os alunos na aula seguinte.
INTRODUÇÃO...
No dia 12 de março a turma 8º A da escola EB
2/3 de Gondomar realizou uma visita de estudo à Igreja Matriz de Gondomar. Esta
visita foi orientada pelas professoras Fátima Gomes e Isabel Santos.
O objectivo desta visita foi observar aspectos
do nosso quotidiano e a dar-lhes significado, pretendeu, também observar a
importância da arte barroca no contexto da contra-reforma.
Chegámos às 9:00h ao Largo João Paulo II.
Começámos
por saber o ano em que a Igreja foi construída, (1725 ou seja século XVIII),
observámos o seu traçado arquitetónico, em estilo barroco, a igreja é ladeada
com uma torre sisneira e na frente no cimo da porta principal, destacam-se em
dois ninchos os santos padroeiros em granito. Os padroeiros da igreja matriz de
Gondomar são os gémios S.Cosme e S.Damião que eram ambos médicos,
exerciam sem cobrar nada em troca e generosamente ofereciam remédios às
populações.
A igreja tem 5 altares.
Seguimos em direção ao Retábulo do Santíssimo Sacramento Capela-Mor. O altar tem
um frontal decorado com talha dourada, os elementos decorativos que revestiam o
retábulo são conchas, folhas, flores. Por detrás do sacrário,
abre-se um arco abatido onde se encontra o trono, hoje tapado por uma tela que
representa a Última Ceia. Apenas em dias de exposição solene, ou seja em
alturas de festa , a tela é enrolada e o trono visível. O trono representa a
simbologia de escada para o céu.
De cada lado deste retábulo, há um nicho na
esquerda com S.Cosme, que segura no braço direito o vaso da urina, outro na
direita com S.Damião que segura no braço direito um livro. O remate da sanefa
deste retábulo tem no centro um resplendor, com uma pomba que representa o
espírito santo. De cada lado, um grande anjo segura os festões que rematam esta
superfície.
De seguida fomos em direção ao Altar das Almas ou de Nossa Senhora das
Dores. No frontal do altar estão representados os símbolos do martírio de
Cristo (lanças, cravos e cruzes).
Os elementos decorativos são conchas, folhas,
anjos e flores.
Acima
da banqueta abre-se um nicho de forma rectângular até à cornija e a partir
desta, um arco de volta perfeita.
No
interior do nicho, via-se a imagem à esquerda de S. Miguel; à direita de S.
João Batista.
Encontrámos
também neste retábulo a gramática
barroca em grande movimento, dado pelas linhas curvas dos motivos vegetalistas,
volutas e dos anjos. No painel de remate estão representadas almas de
predicatório. Este tema era muito usado pela contra-reforma , porque lembrava
que a alma padeceria de vários tormentos se não cumprisse os preceitos da
religião católica.
Seguimos
para o altar de Nossa Senhora do Rosário. O frontal da mesa do altar é cortado
horizontalmente por uma linha que o divide em dois. A parte inferior é cortada
por 2 linhas verticais.
Os
elementos decorativos são: folhas, jarros, ramos e flores.
A
banqueta pousada sobre a mesa do altar possui, no centro, um coração rodeado de
folhas.
Existem,
ainda, simetricamente, de cada lado uma cabeça de anjo e um pássaro
policromados.
A porta
do sacrário é decorada com cordeiro deitado com a cruz de Cristo, uma vela
ondulante e uma árvore que representa o Cordeiro de Deus.
Acima
do sacrário, num nicho está a imagem de nossa Senhora do Rosário que apresenta
o rosário, o menino e coroa. Lateralmente, dois nichos mais pequenos albergam
as imagens de S. Francisco de Sales à esquerda e S. Luís Gonzaga à direita.
No
cimo, da sanefa, de novo, aparece um coração pintado com a inicial M de Maria, encimado por uma cabeça de anjo.
No
painel do remate está representada a Virgem a ser coroada no céu. Cristo fica à
esquerda ; Deus à direita ; o Espírito Santo em cima em forma de pomba sobre um resplendor.
De
seguida fomos em direção ao altar de S.
Pedro, os motivos deste sacrário são a hóstia e o cálice e o seu
significado transubstanciação.
Por
detrás do sacrário ergue-se o nicho com arco trilobado, com a imagem de S.
Pedro. O que o faz identificar é mitra chaves.
Ali
havia um elemento barroco muito conhecido chamado coluna salomónica. Do lado
esquerdo estava a imagem de S. Domingos de Gusmão e do lado direito de S.
Bento.
Sobre
o tímpano inscreve-se um frontão curvo interrompido. Ao centro, as imagens de
Santa Ana, a Virgem e o Menino.
Um
pouco acima dois anjos esvoaçantes.
No
arranque da arquivolta interior, dois outros anjos.
Na
sanefa do remate, são visíveis as armas de S. Pedro as chaves em cruz e a
mitra.
De
seguida fomos para o altar de S.
Francisco, no centro deste retábulo estão representadas as armas da ordem
de S. Francisco, barcos cruzados e a cruz ao centro.
A meio
da banqueta, num nicho de forma oval, rematado centralmente por uma concha,
está a imagem da Dormição da Virgem. Por cima e atrás do painel das Almas do
Purgatório, pode ser vista a imagem de S. Francisco.
Em
cada um dos lados do painel central encontram-se duas colunas salomónicas.
Entre as colunas, duas peanhas suportam as imagens de S. José à direita e Santo
António à esquerda.
Uma
pequena mísula, contem a imagem de Nossa Senhora da Conceição.
Os
motivos decorativos integram-se no barroco joanino, ou seja o executado pelos
artistas do tempo de D. João V influenciados pelos seus colegas italianos que o
rei mandara chamar.
Caracterizando
o reinado de D. João V, podemos dizer que este foi marcado por um longo período
de paz, após as desgastantes lutas da Restauração. O tempo de D. João V
coincide com o despertar do ciclo económico do ouro e dos diamantes do Brasil.
Esta abundância e enriquecimento refletiu-se no aparato e nas grandes obras de
arte. Isto traduziu-se numa clara influência do Barroco internacional,
sobretudo a partir de meados do século XVIII, Este Barroco Joanino, marcado
pela grandeza e ostentação das suas arquiteturas e pelo excesso decorativo,
manifestou-se nos diversos empreendimentos arquitetónicos. O triunfo do Barroco
Joanino concedeu a expressivos,
atitudes e gestos na escultura em madeira e pedra, enquanto a arte da pintura
assimilava o colorido excessivo das pinturas, cobrindo os tetos e cúpulas dos
templos e palácios. Os interiores dos templos religiosos foram invadidos por
uma dinâmica e grandiosa ondade talha dourada, contrastando harmoniosamente com
o azul e branco dos azulejos, revestindo as paredes com episódios religiosos. Na
área do concelho de Gondomar existem numerosas minas, fator de extrema
importância na sua exploração para a economia. Documentos históricos descrevem
que as minas de ouro foram exploradas pelos Romanos. Gondomar poderia assim
construir igrejas deste tipo.
Conclusão…
Gostei muito desta visita,
fiquei a conhecer um pouco do passado histórico de Gondomar a nivél
arquitetónico e económico.
A igreja Matriz é um símbolo
arquitetónico de Gondomar ao estilo barroco joanino derivado à excessiva
ostentação do rei D. João V.
A talha barroca pretendia
chamar as pessoas à igreja e impedi-las de se afastarem da igreja.
O púlpito no meio da igreja,
bem como os retábulos do purgatório serviam para os sacerdotes lembrarem junto
do povo que se não seguissem os preceitos da igreja católica teriam o seu
castigo na outra vida, podendo estar mais tempo no purgatório ou mesmo ir para
o inferno.
Trabalho realizado por: Patrícia Castro Rocha,nº 13 8ºA
Hora do Conto: S.Cosme e S. Damião
No dia seguinte à visita
de estudo à Igreja Matriz de Gondomar, dia 13 de Março de 2013, recebemos duas
representantes da Casa da Juventude de Gondomar, que tendo tomado conhecimento
da nossa visita se ofereceram para ir à escola contar a história de S. Cosme e
S. Damião. Assim, partindo dos conhecimentos que os alunos adquiriram na visita
de estudo, nomeadamente a observação dos nichos que se encontram na frontaria e
que correspondem a S. Cosme e S. Damião as duas colaboradoras da Casa da
Juventude de Gondomar deram inicio à “Hora do Conto”, através da leitura
dramatizada que contava a história de S. Cosme e S. Damião que se confunde com
a própria história de Gondomar.
Esta actividade promovida
pelo Pelouro da Juventude da Câmara Municipal de Gondomar foi bastante
apreciada pelos alunos que ficaram a conhecer um pouco melhor a história da sua
terra e tiveram ainda direito a dois marcadores de livros com as imagens de S. Cosme
e S. Damião, feitos pela Casa da Juventude de Gondomar.
Concluindo, resta-me
apenas acrescentar o quão construtiva foi esta visita de estudo, não só por
proporcionarmos aos alunos uma aula diferente do habitual, onde adquiriram
conhecimentos mais significativos, mas também pela repercussão/divulgação que a
mesma teve no meio (Gondomar), permitindo a visita de duas representantes da
Casa da Juventude de Gondomar à turma do 8ºA, como se pode comprovar pelas
fotografias.